
COMEÇOU a funcionar em setembro de 2018 e, na altura, foi batizado de “Cockpit de Cascais” pelo então Vice-presidente Miguel Pinto Luz, atual ministro das Infraestruturas e Habitação, mas a verdade é que o Centro de Operações de Cascais (C2), a funcionar no Estoril, tem vindo a evoluir do ponto de vista tecnológico e, atualmente, para além de prever e atuar em caso de fenómenos extremos ou outros incidentes, também consegue identificar ilegalidades no território, como, por exemplo a construção de uma piscina e/ou o aumento de uma área habitacional.

É, ainda, a partir do C2 que vão ser visionadas por efetivos das forças de segurança as 444 câmaras de videovigilância a instalar gradualmente durante este mandato autárquico em vários espaços públicos do concelho- um investimento de 12 milhões de euros.
Este “espião”, que, inclusivamente, conta com um funcionário junto da Autoridade Tributária, para acionar o aumento de IMI, recorre, para além do mapa eletrónico do concelho, com imagens aéreas similares às do Google Maps, mas feitas com equipamento do município e maior resolução.
No C2, que também está aberto aos munícipes através da linha de contacto e, em breve, com um novo número (800 911 112) 32 pessoas trabalham tanto na prevenção dos efeitos de uma tempestade, como podem identificar a piscina construída numa casa sem prévia informação aos serviços ou no aumento da sua área.
A revelação é feita pelo jornal económico online Eco, ao qual o atual chefe do executivo, Piteira Lopes, saído das eleições de outubro, afirmou que “nos dias em que a normalidade é varrida por fenómenos como o apagão ou a Depressão Kristin, o C2 assume-se como posto avançado onde podem tomar assento os comandantes da Polícia e dos Bombeiros, o diretor da Proteção Civil, os responsáveis da Capitania do Porto e do hospital, e o presidente da Câmara”.

Em declarações ao mesmo jornal, Piteira Lopes recorda que “aprendemos muito com o apagão”. “As bombas de gasolina deixaram todas de funcionar”, incluindo as da rede nacional de emergência, onde deveria estar precavido o abastecimento para ambulâncias e forças de segurança. “Falharam todas”, mas em Cascais “fomos a um parceiro nosso, a AutoTranscais, que tem um grande depósito de gasolina e gasóleo, e nos permitiu ligar um gerador para atestar os carros dos bombeiros e da PSP”. A partir dai, os postos de emergência do concelho de Cascais têm gerador. Pelo menos, a gasolina conseguimos garantir”.
Referindo-se ainda ao célebre apagão, que pôs o País às escuras em abril último, Piteira Lopes revelou que o município de Cascais é que forneceu rádios para a PSP, a GNR e os bombeiros poderem funcionar, falar para o centro de comando e controlo, e entre eles. Não deixa de ser curioso que, quando tudo falha, inclusive o Siresp, seja o município a fornecer rádios às forças de segurança”, acrescentou Piteira Lopes, segundo o qual “além da rede telefónica convencional, por onde chegam estas chamadas, os agentes municipais de proteção civil, incluindo autarca, têm acesso ao Siresp e, através do mesmo rádio, à rede própria de telecomunicações de Cascais, com antenas exclusivas do município”.
Já sobre a Depressão Kristin, que pôs Cascais como um dos concelhos costeiros em Alerta Vermelho, Piteira Lopes revelou que no C2 o serviço foi colocado em alerta máximo e as equipas alinhadas para, no local ou em teletrabalho, assegurarem o atendimento à população e coordenação com forças de segurança durante as 24 horas do dia”.

Novidade revelada ao Eco por Piteira Lopes é que, desde o final de fevereiro foi colocado um banco de baterias de lítio numa das torres de telecomunicações, as quais asseguram cinco dias de funcionamento, ao contrário do que aconteceu durante o apagão ou teria sucedido se Kristin por aqui tivesse deixado o seu enorme rasto de destruição.
