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OS PRIMÓRDIOS do turismo moderno na Costa do Estoril
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OS PRIMÓRDIOS do turismo moderno na Costa do Estoril

Fev 17, 2025

No final do século XIX e na transição para o século XX, estimulado pelas excelsas condições naturais de paisagem e pela atracção patente no fomento da estadia de recreio, começa a desenvolver-se, com epicentro em Cascais, o conceito do que conheceríamos depois por Riviera Portuguesa, Costa do Sol ou, por último, Costa do Estoril.

Falo essencialmente de cosmopolitização, de um turismo nascente a partir de pioneiros esboços de hotelaria e actividades conexas. O Estoril, cujo agro já os povos antigos tinham elegido como paradouro de elites e lugar privilegiado para práticas hidrotermais, tornar-se-ia, no primeiro quartel do novo século, num pólo de atracção para o turismo a nível internacional.

Onde se situava um imenso pinhal propriedade de um empresário local de nome José Viana, foi-se progressivamente desenvolvido um amplo complexo de modernos equipamentos, ao gosto mais requintado da época. Hotéis de grande capacidade, praias paradisíacas para os novos banhistas, casinos, salões de baile e restaurants, jogos sociais de interior e desportos ao ar livre, tudo beneficiando da serventia de uma linha ferroviária em expansão.

Neste processo de progressivo desenvolvimento, foram determinantes empresários de visão, como Fausto de Figueiredo e Carreira de Sousa ou, mais tarde, Teodoro dos Santos. Retoma-se o espírito subjacente ao apelo de alguns anos antes, feito pelo escritor Ramalho Ortigão: “(…) transformar o lindo arrabalde do Estoril, onde junto da praia há uma rica nascente de água termal, em vila de banhos e de águas no moderno tipo elegante de Wiesbaden, de Trouville ou de San Sebastian”.

Desde o início, visava-se atrair – e isso seria alcançado com sucesso – o turista estrangeiro abastado, oferecendo-lhe o conforto e as diversões que encontrava nas estâncias de outros cantos do Mundo, como Biarritz, Vichy, Baviera e Ostende. Sempre com a consciência de que esta região portuguesa oferecia condições de origem tão pitorescamente sintetizadas num parecer pedido a um cientista da época: “Na zona do Estoril, os sapatos nunca têm bolor, as ruas não estão húmidas de manhã, os telhados não se cobrem de musgo, e o ferro nunca cria ferrugem”.

Foram traçados planos e projectos de grande visão, obteve-se o suporte e empenho dos poderes públicos, e nunca se perdeu de vista o carácter decisivo da preservação e valorização da salubridade atrás enaltecida. Disso é testemunho o postal que hoje publico e que reproduz um cartaz de uma campanha promovida pela Junta de Turismo em 1938, apelando à necessidade de erradicar práticas como a de fazer das ribeiras e regatos junto a costa (naqueles tempos ainda a céu aberto) um local de vazadouro. O postal agora editado faz parte de uma série de edições da ANpress – Colecção ArteNatura.

*NELSON FERNANDES recorda em Cascais24Horas duas vezes por semana factos e curiosidades que marcaram outrora Cascais e fazem parte da história de esta vila de reis e pescadores.

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