17 de February, 2026
DEGRADAÇÃO do Autódromo do Estoril pode tirar prova de World Superbike de Portugal
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DEGRADAÇÃO do Autódromo do Estoril pode tirar prova de World Superbike de Portugal

Fev 17, 2026

ALCABIDECHE- Apesar do sucesso desportivo que continua a marcar presença no calendário internacional, os sinais de degradação estrutural do Autódromo do Estoril tornaram-se demasiado evidentes para serem ignorados.

O encerramento da Bancada A, na sequência de danos provocados por intempéries, e a possibilidade de interdição da Bancada B levantaram dúvidas sérias quanto à capacidade do circuito para continuar a receber provas internacionais de topo.

A inexistência de uma data concreta para a reabertura das infraestruturas afetadas adensa a perceção de abandono progressivo de um espaço que, durante décadas, foi símbolo maior do desporto motorizado em Portugal.

Recorda-se que a Câmara Municipal de Cascais propôs à Parpública ficar a gerir o Circuito Estoril por 12,5 milhões de euros, por um prazo de até 75 anos. A autarquia traçou um plano que prevê, caso a proposta seja aceite, um concurso público para pôr privados a investir 150 milhões de euros com a ambição do regresso da Fórmula 1 ao autódromo que entrou na esfera pública em 1997.

Embora a proposta ainda venha do tempo em que Carlos Carreiras era presidente, a verdade é que o atual chefe do executivo, Piteira Lopes, insiste que “a Parpública tem, neste momento, tudo para poder decidir entregar o direito de superfície e a gestão ao município de Cascais”.

Piteira Lopes reconhece também ser “absolutamente necessário” fazer intervenções “em toda a infraestrutura”, do paddock até às casas de banho.

Miguel Oliveira lança alerta

Já Miguel Oliveira lançou um alerta público na sua página oficial do Facebook: “Quando não cuidamos do que é nosso, arriscamo-nos a perder o que nos orgulha. O Estoril não pode ser uma memória”, escreveu emocionado e revoltado com o que está a acontecer.

A declaração do piloto português não surgiu por acaso nem por impulso. Miguel Oliveira conhece profundamente o traçado junto à Serra de Sintra — ali competiu no Mundial de Velocidade, ali construiu parte do seu percurso internacional e ali poderá regressar em 2026 no âmbito do Mundial de Superbikes. A sua intervenção não é apenas simbólica: representa um aviso claro sobre o risco real de Portugal perder uma das suas últimas grandes montras internacionais no motociclismo.

Num momento em que o WorldSBK continua a proporcionar corridas emocionantes e a atrair milhares de espectadores ao concelho de Cascais, o contraste torna-se evidente: dentro de pista há espetáculo, competitividade e projeção internacional; fora dela, cresce a incerteza sobre o futuro de uma infraestrutura histórica.

E é precisamente neste cruzamento entre glória desportiva e fragilidade estrutural que se decide o destino do Estoril.

O que está verdadeiramente em jogo

Perder a prova portuguesa do WorldSBK significaria muito mais do que a saída de um evento desportivo. Representaria um golpe simbólico num circuito que durante décadas projetou Portugal no mapa internacional do desporto motorizado.

Num calendário global cada vez mais competitivo, a permanência da ronda portuguesa dependerá da capacidade de garantir segurança, modernização e estabilidade estrutural. Outros países investem fortemente para assegurar eventos deste nível.

O Estoril encontra-se, assim, num ponto de viragem. A decisão que for tomada nos próximos meses poderá definir o seu papel nas próximas décadas.

O Autódromo do Estoril é mais do que uma infraestrutura. É memória coletiva. É o som de motores que marcaram gerações, é o palco onde Portugal viveu alguns dos seus momentos mais intensos no desporto motorizado.

Hoje, vive-se um contraste inquietante: enquanto as Superbikes continuam a rasgar a reta da meta, cresce o receio de que o futuro possa abrandar até parar.

O alerta de Miguel Oliveira ecoa para além das redes sociais. Quando uma infraestrutura com este peso histórico começa a mostrar sinais de fragilidade, o risco não é apenas perder uma prova — é perder relevância, identidade e ambição internacional.

O calendário mundial não espera. O Estoril ainda tem tradição, ainda tem público, ainda tem história.

A questão é simples e urgente: haverá futuro para o Autódromo do Estoril?

*Com Valdemar Pinheiro

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