O CHEGA chega ao governo de Cascais pela mão de Piteira Lopes

OPINIÃO | VÍTOR MALÓ MACHADO
O Partido CHEGA anunciou durante a Reunião da Assembleia Municipal de Cascais do passado dia 23 de fevereiro que chegara a um acordo político com o Presidente da CMC, Nuno Piteira Lopes, para o governo do Município e que incluía a distribuição de pelouros pelos dois vereadores do CHEGA.
Nuno Piteira Lopes tinha anteriormente conseguido governar o município com o apoio do PS também com distribuição de pelouros pelos dois vereadores do PS eleitos para a CMC. O PS declarou, em onsequência, a sua desvinculação.
Destaco, pela sua importância, dois grandes projetos que estão delineados no domínio do Ordenamento Territorial, Urbanismo e Habitação: a revisão da Estratégia Local de Habitação com o reforço de mais 1000 novos fogos para habitação municipal a custos controlados à custa de um empréstimo de 100 M€; e, a aquisição, por direito de preferência, no valor de 30,2 M€, também através de um empréstimo já aprovado pela Assembleia Municipal, de terrenos com área total de 45ha na Aldeia do Juzo, Birre e Areia.
Segundo o que foi anunciado e propagandeado pelo Presidente da CMC, este terreno destinar-se-ia, embora sem qualquer garantia, para a implantação de um espaço verde que incluiria um parque urbano, construção municipal para habitação jovem, um pavilhão multiusos e uma via rodoviária para unir o fim da autoestrada A5 com Areia.
Pode-se concluir após esta perturbante troca de acordos que Cascais tem uma governação errante. Qualquer compromisso anunciado não tem qualquer garantia de cumprimento.
Em particular, as políticas de habitação e do ordenamento do território têm tido desde o início desta governação um comportamento contraditório e de compromisso com os grandes interesses imobiliários. No mesmo dia que se anuncia o “maior parque urbano de Cascais”, defende-se a construção de habitações de luxo como as da Quinta dos Ingleses caracterizada pela impermeabilização dos solos em zonas costeiras sensíveis e contra a preservação do ambiente.
Mas, também, nas restantes vertentes, seja dos transportes municipais e comboios, da não legalização dos bairros de génese ilegal, da rede viária, da concessão das águas ou mesmo as da ausência de direitos elementares dos trabalhadores, mantém-se o rumo da degradação do concelho, da vida das populações e dos serviços.
Conclui-se que a defesa da melhoria das condições de vida e do bem-estar daqueles de vivem, trabalham ou estudam em Cascais não estão nas preocupações dos que governam o Município. A governação do Município com o CHEGA tem um cariz antidemocrático, contra os interesses das populações, contra os valores de Abril e da Constituição da República Portuguesa.
*Vítor Maló Machado é deputado pela CDU na Assembleia Municipal de Cascais.
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