29 de November, 2025
Desinformação digital – O inimigo da Gen Z
Artigos de opinião

Desinformação digital – O inimigo da Gen Z

Nov 25, 2025

OPINIÃO | TOMÁS ALMEIDA MOURÃO

Neste mês de Novembro, marquei presença na Escola de Quadros da Juventude Popular. Com a Inteligência Artificial a servir como base, experienciei dois dias muito interessantes nos quais se debateram ideias e formas de lidar com este “novo” mundo. Através de oradores como Filipe Mendes, Rute Sousa e Paulo Portas, relacionámos o tema da IA com a desinformação digital – será esta evolução uma oportunidade ou um problema?


Em média, um jovem japonês não passa sequer 30 minutos por dia nas redes sociais, um europeu passa 2.5 horas e um jovem americano ou brasileiro cerca de 5 horas diárias só em redes sociais como o Instagram e o TikTok. 61% dos jovens brasileiros, por exemplo, consideram as redes sociais a sua única fonte de informação. Este é o mundo em que vivemos – um espetáculo gratuito e à distância de um clique que permite aos políticos e às suas claques dizerem as maiores barbaridades através de um ecrã durante 60 segundos e chegarem a meio milhão de eleitores.


A desinformação deixou de ser um fenómeno de conversas de café e tornou-se numa arma de propaganda massiva e descontrolada. O que antes era uma mentira, hoje é uma narrativa customizada e amplificada pelo próprio algoritmo. A IA veio intensificar esta arte da manipulação, explorando a nossa falta de literacia digital e o nosso vício. Percebeu antes de nós que é mais fácil substituir a verdade pela emoção e o debate racional pela ofensa pessoal. Pior que isso, conhece o algoritmo e sabe que é mais viral atacar o mensageiro do que contestar a própria mensagem.


Mas porque o caminho é sempre para a frente, não basta perdermos o nosso tempo a queixarmo-nos deste flagelo. Temos a obrigação e o dever de tornar este problema numa oportunidade. A IA abre portas para uma vida “mais fácil” ou “mais desafogada”, se assim o quisermos chamar, mas para isso temos de saber o que é de verdade e de confiança e aprender como devemos domesticar esta ferramenta e torná-la nossa aliada.


É então primordial que a comunicação social ocupe o lugar que lhe pertence – a principal fonte fidedigna de informação. Todavia, para isso não basta criar conta nas redes sociais ou colocar comentadores “mais modernos” no painel. A comunicação social tem de conseguir voltar a ganhar a confiança dos telespectadores e esse caminho só se conquista com seriedade, transparência e, sobretudo, imparcialidade. Temos de voltar a abrir espaço para se discutirem doutrinas políticas e não identidades pessoais.

É tempo de fazer crescer o país – com demografia, produtividade e inovação. Precisamos de voltar à origem e acreditar em pessoas, em visões e acima de tudo, em valores.

*Tomás Almeida Mourão é militante da Juventude Popular de Cascais

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