MARQUES Valentim mostra no Estoril imagens inéditas que marcaram Portugal pós-25 de abril

ESTORIL- O conhecido e prestigiado fotojornalista João Marques Valentim, natural de Cascais, vai expor, a partir de quinta-feira, dia 18 dezembro e até 17 de janeiro de 2026, na Galeria de Arte do Estoril, na rua de Santa Rita, com o apoio da Junta de Freguesia de Cascais e Estoril, imagens inéditas dos acontecimentos históricos que marcaram Portugal entre os dias 11 de março e 25 de novembro de 1975.
“Do 11 de Março ao 25 de Novembro- Memórias de uma Revolução “, é uma exposição didática, histórica e é também um exercício de liberdade e de cidadania”, refere Marques Valentim, segundo o qual “mostrar o meu trabalho na terra onde nasci, 50 anos volvidos, é sem dúvida, para mim, motivo de enorme honra e orgulho”.
Ao todo, são 55 imagens, a maioria delas inéditas que mostram dois dos períodos conturbados em que Portugal mergulhou no pós 25 de abril de 1974, captadas pela objetiva de um grande profissional, então ao serviço de grandes órgãos de Comunicação Social portugueses.
















As primeiras eleições livres em Portugal depois do 25 de Abril, onde se mostra precisamente, na sua terra natal, a enorme adesão do povo, que encheu o Pavilhão do Dramático de Cascais, o PREC – período revolucionário em curso, que durante nove meses colocou Portugal à beira da guerra civil e o golpe ou Intentona de 11 de Março de 1975 que foi uma tentativa de golpe de estado dirigida por António de Spínola e os meses que se seguiram e deram mais força ao governo de Vasco Gonçalves, que defendia políticas mais revolucionárias, são algumas da imagens históricas presentes nesta interessante exposição, que mostra o Verão Quente de 75, caracterizado por uma certa anarquia no governo, forças armadas e sociedade, e por tensões crescentes entre grupos de esquerda e de direita.
Foi todo este período que veio a culminar com a Crise de 25 de Novembro de 1975 – uma movimentação militar conduzida por partes das Forças Armadas Portuguesas, tendo como principais protagonistas Ramalho Eanes, Vasco Lourenço e Jaime Neves e cujo resultado levou ao fim do Processo Revolucionário em Curso (PREC) e a uma estabilização da democracia representativa em Portugal.
PERCURSO

Marques Valentim que, nos últimos anos, realizou mais de meia centena de exposições, não só em vários concelhos de Norte a Sul do nosso País, como no estrangeiro, nasceu em Cascais, a 1 de agosto de 1949 e dedicou toda a sua atividade profissional à fotografia.
Fez a sua comissão de serviço militar obrigatório em Moçambique, como furriel miliciano fotocine, após ter tirado em Lisboa o curso de Fotografia e Cinema, nos Serviços Cartográficos do Exército. Naquele território africano, permaneceu durante 26 meses (1972/74) percorrendo-o de Norte a Sul em serviço de reportagem fotográfica.
De regresso Portugal e, logo após o 25 de Abril de 1974, surgiu no fotojornalismo, iniciando o seu trabalho na Agência Europeia de Imprensa (A. E. I. – Notícias) onde cobriu os principais acontecimentos ocorridos no nosso País entre Setembro de 1974 e Agosto de 1975. A 1 de Setembro desse mesmo ano, iniciou oficialmente, a sua carreira de fotojornalista no diário “A Luta”, no qual permaneceu até à sua extinção, em Janeiro de 1979. Fez parte da equipa que lançou o “Correio da Manhã” – de 15 de Março de 79 a 15 de Setembro de 1979. Em Outubro de 1979 entrou para o “Portugal Hoje”, onde permaneceu até ao fim deste matutino (Julho de 1982). Em 1982, fez parte do grupo de jornalistas fundadores do Semanário Desportivo “Off-Side”, tendo, em 1983, recebido em serviço do jornal o prémio Gandula (Revelação) de Wilson Brasil. Entretanto, deixou o “Off-Side”, para entrar, em Outubro de 1983, na delegação de Lisboa do jornal “Comércio do Porto” onde permaneceu até Fevereiro de 1986. Em Março de 86 voltou aos quadros do “Correio da Manhã”, onde desempenhou os cargos de repórter-fotográfico, sub-coordenador, tendo sido nomeado em Janeiro de 2002 para o cargo de Editor Fotográfico, função que desempenhou até 31 de Outubro de 2002. Foi como fotojornalista do “Correio da Manhã” que Marques Valentim realizou vários trabalhos de tauromaquia, tema que o entusiasmou e o levou a realizar diversas exposições.
Em 2001, recebeu uma menção honrosa da revista “Visão”, relacionada com o prestigiado concurso de fotojornalismo do mesmo nome, cuja foto premiada era sobre esta temática. Em 2001 foi, igualmente, autor do cartaz da Feira Taurina de San Juan, em Badajoz. Colaborou, como freelancer, no Jornal “Bombeiros de Portugal“, e nas revistas “Segurança e Defesa“ e “Saúde e Sociedade“, entre outras. Em 1998 participou no livro de Andrade Guerra, “João Moura – O Mito e as Efemérides”, comemorativo dos 20 anos de carreira do cavaleiro . Em Dezembro de 2003, foi co-autor com Andrade Guerra e Isabel Trindade, do livro “Combatentes do Ultramar” tendo colaborado também, em 2005, no livro “A Dor da Nação” de Andrade Guerra, entretanto falecido e que foi um dos 24 jornalistas saneados do DN, que fundaram o matutino “O Dia”, tendo mais tarde passado pelo “Correio da Manhã” onde foi subchefe e chefe de redação.
A 1 de Dezembro de 2009 foi lançado o livro “Cavaleiros – Heróis com Arte “, igualmente de Andrade Guerra e com imagens de sua autoria. Entre as várias exposições de fotografia que realizou, destaca-se a primeira – realizada em Lisboa em 1994 – intitulada “Tauromaquia”, “E Depois do Adeus”, uma exposição documental de fotojornalismo, onde sobressaiam personalidades que marcaram a História recente, do nosso País, após o 25 de Abril de 1974.
A 10 de Março de 2012, Marques Valentim foi empossado como Embaixador para a Paz, pela Federação Internacional para a Paz.